Por que 1 em cada 4 pedidos de marca é indeferido no INPI
Um em cada quatro pedidos de registro de marca no Brasil não sobrevive ao exame do INPI.
Não é um exagero.
É o que mostra um levantamento recente sobre a base pública de dados do INPI: entre os pedidos que já passaram pelo exame formal e chegaram à fase de mérito, 27,4% foram indeferidos.
Quando existe oposição de outra empresa contra o pedido, esse número sobe para 57%.
Mais da metade.
É fácil imaginar que indeferimento acontece com quem preencheu errado ou nem pesquisou antes de protocolar.
Na prática, os motivos que mais derrubam pedidos são bem mais “simples” do que isso — e atingem tanto quem está começando quanto quem já tem um negócio rodando há anos.
Vamos por partes.
Nome fraco: quando o problema já nasce no nome
Como já detalhamos em Nome genérico não pode ser registrado — e isso é mais comum do que parece, um nome sem distintividade suficiente — muito descritivo, muito genérico, muito parecido com o vocabulário comum do setor — é um dos motivos mais recorrentes de indeferimento ou de concessão limitada (sem exclusividade sobre parte do nome).
Isso tem relação com quantas pessoas, no mesmo segmento, chegaram à mesma ideia de nome — e quantas marcas parecidas já existem registradas quando você vai protocolar a sua.
Especificação ampla demais: proteger tudo pode significar não proteger da forma certa
Existe uma tentação, na hora de descrever a atividade da marca, de listar o máximo de produtos e serviços possível — “para garantir”, “para não deixar nada de fora”.
O efeito costuma ser o oposto do esperado.
Uma especificação muito ampla, que tenta cobrir atividades distantes do que o negócio realmente faz, é um sinal de alerta para o examinador — e pode ser um dos motivos de indeferimento por semelhança com outras marcas.
O ideal é o oposto do “quanto mais, melhor”: uma especificação precisa, que cubra exatamente o que o negócio faz hoje e o que tem plano real de fazer — nem mais, nem menos.
Classe errada: passa despercebido até ser tarde demais
O INPI organiza marcas em 45 classes, cada uma cobrindo um tipo de produto ou serviço.
Escolher a classe errada não barra o pedido na hora — ele segue, é analisado, às vezes até é deferido.
O problema aparece depois, quando a proteção concedida não cobre o que o negócio realmente precisa proteger.
E o erro de classes também aumentam o risco de colidência com marcas de segmentos que, na prática, nem competem com o seu — mas que, tecnicamente, dividem a mesma classe.
Ou seja, quando você escolhe uma classe que não é a do seu negócio, seu pedido corre um risco que não deveria ou ficará protegido na classe errada, o que na verdade, não protege a sua marca.
Prazos esquecidos: o erro que ninguém vê chegando
Depois do depósito, o processo no INPI não é passivo. Existem prazos — e perder qualquer um deles pode custar o pedido inteiro, mesmo que todo o resto esteja certo.
O mais crítico: depois que o pedido é publicado na Revista da Propriedade Industrial (RPI), terceiros têm 60 dias para apresentar oposição.
Ou seja, outras marcas podem contestar a sua.
E depois de um indeferimento, existe também prazo para recurso administrativo.
Quem perde esse prazo perde a chance de reverter a decisão — mesmo quando o indeferimento tinha boas chances de ser revertido: dados recentes mostram que recursos contra indeferimentos sem oposição prévia têm taxa de reversão de quase 40%.
A espera está aumentando ano após ano — e isso muda o cálculo de risco
Existe um detalhe que poucos empreendedores consideram: quanto mais o processo demora, mais tempo o seu negócio opera exposto — sem saber se o nome vai ser aprovado, e sem poder reagir a um possível conflito até a decisão sair.
E essa espera não é estável. Ela vem crescendo, ano após ano, desde que o volume de pedidos passou a superar a capacidade de análise do INPI.

Repare em dois pontos que fogem do senso comum:
Primeiro, o tempo médio geral — sem nem separar quem teve oposição — já saltou de cerca de 7 meses em 2020 para mais de 17 meses em 2024.
E olhando só para os pedidos sem qualquer contestação, em 2025 esse tempo já passa de 18 meses.
O próprio INPI reconhece que o crescimento no número de depósitos superou a capacidade de análise, mesmo após a contratação de novos examinadores em 2024 e 2025.
Segundo, e mais importante: a meta do INPI para 2026 era de reduzir o tempo dos pedidos sem oposição para 10 meses — mas, ao mesmo tempo, a expectativa para pedidos com oposição é de que o tempo continue subindo, chegando a cerca de 36 meses.
Ou seja: o próprio órgão espera que a diferença entre “ter oposição” e “não ter oposição” fique ainda maior.
Na prática, isso significa que um pedido mal preparado — nome fraco, classe errada, especificação ampla — que atrai uma oposição, pode ficar quase 3 anos em análise antes de você saber se vai ser aprovado ou indeferido.
Portanto, um tempo em que o negócio já está rodando, investindo, crescendo — sem saber se o nome vai continuar sendo seu.
O risco para quem já tem um negócio rodando
Se você já opera há anos com um nome não registrado, ou com o registro ainda em andamento, o indeferimento não é só um contratempo — é um risco direto sobre tudo que já foi construído.
Fachada, material gráfico, clientela, reputação: nada disso conta como prova de posse do nome perante o INPI.
Como já mostramos em Você sabia que pode perder o direito ao seu próprio nome?, tempo de uso não cria direito de marca no Brasil — registro cria.
Quanto maior e mais visível o negócio fica sem registro, maior a exposição a esse risco — porque mais gente vê o nome, e mais chance existe de alguém protocolar antes de você, ou de um pedido seu esbarrar em uma marca que só apareceu depois que o seu negócio já estava rodando.
O risco para quem fez só uma busca básica
Existe outro perfil de risco, oposto ao anterior: quem pesquisou o nome antes de protocolar — mas fez uma busca simples, olhando só nomes idênticos.
Esse tipo de busca não identifica semelhança fonética, visual ou conceitual — os critérios reais que o examinador do INPI usa.
Um pedido que “passou pela pesquisa” nesse sentido superficial ainda pode receber oposição de uma marca foneticamente parecida, por exemplo.
E é exatamente nesse cenário que o risco de indeferimento mais que dobra: 57% dos pedidos que recebem oposição são recusados.
Uma pesquisa superficial não impede a oposição — só impede você de enxergá-la vindo.
Os números atualizados
Em 2025, o INPI recebeu 504 mil pedidos de registro de marca — recorde histórico. O tempo médio de exame para pedidos sem oposição chegou a 18,3 meses; para pedidos com oposição, a 34,4 meses (fonte: IDS).
A proporção de indeferimento — 27,4% no exame de mérito, e 57% quando há oposição — vem de uma análise sobre o lote de pedidos depositados em 2021, o mais recente com ciclo totalmente concluído (pedidos mais novos ainda estão em análise, então não dá pra fechar a conta ainda).
Foram 389.613 pedidos naquele ano; 354.773 passaram do exame formal, e desses, 97.050 foram indeferidos no mérito (fonte: Conjur).
Em 2025, o INPI também reajustou as taxas ligadas a esse processo: a taxa de oposição foi de R$ 142 para R$ 520, e o recurso contra indeferimento, de R$ 475 para R$ 700 — com desconto para MEI e microempresas reduzido de 60% para 50%.
Sendo assim, cada etapa mal planejada do processo ficou mais cara.
O que fazer com esses números
Nenhum desses riscos — nome fraco, especificação ampla demais, classe errada, prazo perdido — aparece de forma óbvia no momento em que você protocola.
Dessa maneira, todos eles só se tornam visíveis meses depois, quando a decisão do INPI chega.
É por isso que a etapa que realmente decide o resultado não é o preenchimento do formulário. É a preparação antes dele: nome bem escolhido, especificação precisa, classe correta, e alguém acompanhando os prazos que você nem sabia que existiam.
O primeiro passo é gratuito
Na Pretória, antes de qualquer protocolo, fazemos uma análise de viabilidade gratuita.
Verificamos se o seu nome tem distintividade e chances reais de aprovação, revisamos a especificação e a classe mais adequadas ao seu negócio, e acompanhamos os prazos do processo — para que nenhum deles vire um problema para o seu negócio no futuro.
Se quiser saber se o seu pedido tem os elementos certos para evitar o indeferimento, a análise de viabilidade é gratuita e sem compromisso. É só dar o primeiro passo: [link para a análise gratuita].
Perguntas frequentes
Qual é a chance real de um pedido de marca ser indeferido no INPI?
Entre os pedidos que chegam à fase de exame de mérito, cerca de 27% são indeferidos. Quando há oposição de terceiros, esse número sobe para 57%.
Quais são os motivos mais comuns de indeferimento?
- Nome parecido com marca já registrada (fonética, visual ou conceitualmente)
- Classe incorreta, especificação inadequada — muito ampla ou muito imprecisa
- Sinais de uso genérico ou proibido no nome.
Se meu pedido for indeferido, ainda posso reverter a decisão?
Sim, por meio de recurso administrativo, dentro de um prazo específico.
Dados recentes mostram taxa de reversão de quase 40% em recursos de pedidos sem oposição prévia — mas perder o prazo do recurso encerra essa possibilidade.
Quanto tempo leva para saber se meu pedido foi aprovado?
Em 2025, o tempo médio para pedidos sem oposição foi de 18,5 meses.
Mas, para pedidos com oposição, o prazo é ainda maior. O INPI projeta reduzir esse tempo médio para 10 meses.
Ter um negócio já estabelecido reduz o risco de indeferimento?
Não reduz — na verdade, tende a aumentar a exposição.
Quanto mais visível e conhecido o negócio fica sem registro, maior a chance de conflito com uma marca registrada por terceiros, e maior o custo se o pedido for indeferido depois de anos de operação.
O tempo de análise do INPI está mesmo aumentando?
Sim. Pedidos sem oposição saíram de uma média de cerca de 7 meses em 2020 para 18,3 meses em 2025.
Pedidos com oposição chegaram a 34,4 meses em 2025 — e a expectativa do próprio INPI é de que esse tempo continue subindo, mesmo com a meta de reduzir o tempo dos pedidos sem oposição.
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